Novo começo
Estou começando de novo.
Tenho 48 anos (quase 49). Fiz duas faculdades, mestrado e doutorado e estou iniciando a minha terceira graduação: museologia. A motivação foi pragmática. Em 2014, tornei-me responsável pelos inquéritos civis de patrimônio cultural do Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde trabalho como historiadora. Minha tarefa é fazer pareceres, quando solicitados pelo promotor ou promotora, a respeito de patrimônio cultural: imóveis, coleções, museus, arquivos, etc. Cada inquérito é o tema de uma nova pesquisa. Em geral, preciso estabelecer o valor histórico e cultural de determinado imóvel, peça, etc. Algo bastante complexo e a respeito do que ainda quero falar por aqui. Contudo, para museus e arquivos, em geral me é solicitado que verifique se o local está de acordo com as normas prescritas. Sim, você que me lê está pensando, isso é trabalho para um museólogo ou para um arquivista. Mas na realidade do nosso serviço público já é algo extraordinário que exista uma historiadora (sou uma das únicas historiadoras do Ministério Público no Brasil) no Ministério Público. Imaginar que contratarão um museólogo e um arquivista para desempenhar essa função (existem arquivistas no MP-RS dedicados ao arquivo da instituição) é um sonho um tanto pueril.
Chegou o dia em que tive que fazer uma vistoria em um museu. Foi no Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, meu velho conhecido. Pesquiso no Hipólito desde a década de 1990, na época em que não existiam câmeras digitais e era preciso copiar a mão o que desejávamos. Mas dessa vez era diferente. Havia setor de rádio, setor de cinema, setor de fotografia, setor de imprensa. Fiz perguntas, fotografei, anotei. Quando sentei à minha mesa de trabalho para redigir o parecer e comecei a pesquisar, dei-me conta de que estava diante de um mundo novo e desconhecido, com leis e normas próprias, do qual eu não sabia absolutamente nada.
Apesar da dificuldade e das frequentes decepções, gosto do meu trabalho. Julgo que muito mais poderia ser feito. Mas vejo o Ministério Público atuando efetivamente para a preservação do patrimônio cultural. Meus pareceres são uma modesta contribuição. Mas através deles os promotores têm os subsídios para agir. Por isso meus arrazoados têm que ser muito consistentes.
Claro que o meu trabalho não foi a minha única motivação para fazer museologia. Gosto de estudar. Tenho uma sede insaciável de aprender coisas novas. Além disso, sou persistente e disciplinada. Nos dois últimos anos fiz duas disciplinas na museologia: Gestão em Museus e Preservação e Conservação de Bens Culturais. Decidi me candidatar como diplomada. Fui selecionada. Mas se não fosse, faria vestibular. Quando eu quero uma coisa, dou um jeito de fazer.
E eis que na primeira aula do semestre uma professora solicita como tarefa fazer um blog. A ideia é falar sobre as expectativas em relação ao novo curso e sistematizar o aprendizado. Entrar na universidade não é novidade para mim. Entrei na UFRGS em 1988 de, desde aí, fiquei pouco tempo afastada. Já fui graduanda da Medicina, da História e do Direito, mestranda da Ciência Política, professora substituta na História, doutoranda no Programa de Pós Gradação em Estudos Estratégicos Internacionais e, no momento, sou professora convidada do curso de Especialização em Relações Internacionais e Estratégia. De modo que não vou falar aqui sobre expectativas.
Vou falar sobre museus. Visitei diversos museus em vários locais diferentes, como visitante e a trabalho. E vou falar sobre eles com esse novo olhar que irei adquirindo no novo curso. E também falarei sobre o que estou aprendendo de novo. Já tenho um blog "A Comédia Humana e outras histórias" (https://livrosqueestoulendo.blogspot.com/). Ele está parado, mas será retomado ainda neste ano.
As imagens nesta postagem são de museus que já visitei, alguns. Não irei identificá-los aqui pois para cada um haverá uma postagem específica. Alguém arrisca?
Espero que gostem.



















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